A gente inventa em falar do sol, da lua, o céu estrelado e como as pessoas andam por aí. A gente quer falar de tudo, devemos falar de tudo. Falamos do sonho, do sentido da vida e sentimos a necessidade vulcânica de falar e falar sobre qualquer coisa. Se fala por ai até do falar, até da necessidade de falar. Queremos experimentar decifrar o que representa o sol brilhando com gotas de luz a superfície marítima; brilhando mais bonito ali, do que lá no alto, onde nem conseguimos enxergar. Os grãos de areia e as gotas de água salgada na pele. Queria propôr que falássemos do siri que se esconde em algum lugar debaixo do barco de madeira na areia da praia e teme, teme cada segundo da sua vida, o predador que virá mastigá-lo; mas acho que já devem ter falado disso e, desse jeito, acho que alguém por aí deve dar risada de toda essa falação, de toda essa ignorância.

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