“O sol não quer sumir, nessa tarde de verão. Pela janela, ilumina imponente primeiro a cozinha e depois a sala de visitas, mais fracamente”.
Era a décima postagem dele naquele dia. Postava a roupa nova, alguma bobagem do programa de televisão, suas paixões, seus anseios, a cara do fulano quando ele disse aquele blábláblá. E o pessoal comentava a roupa nova, a bobagem do programa de televisão, as suas paixões, os seus anseios, a cara do fulano quando ele disse aquele blábláblá.
Cansava procurar o que dizer na internet. Mas tinha que dizer algo, todo mundo fazia coisas interessantes e postava, não podia simplesmente olhar acontecer a vida dos outros, enquanto a sua passava sem permissão. Tinha que ser gravado, eternizado. E não existiam controvérsias para ele. Existiam comentários que elevavam a sua auto-estima. E lá fora, uma paisagem inteira para ser explorada e tocada.
As praças e os bares não queriam ser entendidos, não queriam ser comentados, não queriam ser postados. Pediam apenas para serem vivenciados. Convidavam intuitivamente, com o sol teimoso brilhando e rodando através das janelas. E então sai o sol, entra a lua.
“A rua não tem nada essa noite, não vou sair. Vou ficar em casa, com meus filmes e meus biscoitos”.
Décimo sétimo post, um vazio tomava conta dele aos poucos. Olhou seu arquivo. Dias e mais dias avisando sobre a sua vida para olhos desconhecidos. Nenhum dia que passasse em branco, nenhum dia só dele.
O sol daquela tela não queria sumir, naquela noite de verão, e já estava queimando seus nervos.
“Digo adeus aos anônimos e aos fakes. Agora vou parar para morrer, até amanhã”.
Com frieza e um litro de cachaça, pegou a corda e se pendurou no teto. Seus pés pendiam sobre o teclado cheio de letras ainda não digitadas.
Era a décima postagem dele naquele dia. Postava a roupa nova, alguma bobagem do programa de televisão, suas paixões, seus anseios, a cara do fulano quando ele disse aquele blábláblá. E o pessoal comentava a roupa nova, a bobagem do programa de televisão, as suas paixões, os seus anseios, a cara do fulano quando ele disse aquele blábláblá.
Cansava procurar o que dizer na internet. Mas tinha que dizer algo, todo mundo fazia coisas interessantes e postava, não podia simplesmente olhar acontecer a vida dos outros, enquanto a sua passava sem permissão. Tinha que ser gravado, eternizado. E não existiam controvérsias para ele. Existiam comentários que elevavam a sua auto-estima. E lá fora, uma paisagem inteira para ser explorada e tocada.
As praças e os bares não queriam ser entendidos, não queriam ser comentados, não queriam ser postados. Pediam apenas para serem vivenciados. Convidavam intuitivamente, com o sol teimoso brilhando e rodando através das janelas. E então sai o sol, entra a lua.
“A rua não tem nada essa noite, não vou sair. Vou ficar em casa, com meus filmes e meus biscoitos”.
Décimo sétimo post, um vazio tomava conta dele aos poucos. Olhou seu arquivo. Dias e mais dias avisando sobre a sua vida para olhos desconhecidos. Nenhum dia que passasse em branco, nenhum dia só dele.
O sol daquela tela não queria sumir, naquela noite de verão, e já estava queimando seus nervos.
“Digo adeus aos anônimos e aos fakes. Agora vou parar para morrer, até amanhã”.
Com frieza e um litro de cachaça, pegou a corda e se pendurou no teto. Seus pés pendiam sobre o teclado cheio de letras ainda não digitadas.
16 comentários:
Belo conto...
Philippe Artières fala que escrever sobre a própria vidar é uma maneira de organizar lembranças e imagens isoladas de forma a dar um determinado sentido para o viver.
Seu conto me lembrou isso...
Tu arrasa, hein editora? rs
Mas existem segredos só nossos... Ao falar sobre nós sempre, acaba ficando um vazio.
Beijos
As pessoas sempre querem ouvir algo...
Pobre de quem tem que dar as respostas.
Adorei o blog, parabéns..
brs
falar sobre nós, sobre os outros... tudo vale. Aplausos!
E a vida de blogueiro não e fácil não muita pressão, bom texto
http://midiasocialbrasil.blogspot.com/
nossa mto bom mesmo adorei,realmente,tem dia que achar a inspiração sobre o q escrever é um parto!!!!
a verdade nua e crua sobre o dia das crianças??
so aqui no furduço!!!!
http://furdunconosemaforo.blogspot.com/2009/10/rodo-cotidiano-especial-dia-das.html#comments
Bem legal seu espaço, colega de sala! abraço!
Adorei o texto.
"Existiam comentários que elevavam a sua auto-estima."
Acho que essa frase resume a vida de muitos blogueiros que escrevem para os outros e não pra si mesmo.
Muito bom mesmo, o final então...
fechou com classe.
Abraços
Jana, vc é vc...
tá muito show!
adorei mesmo
Binha,
Me apaixonei pelos seus textos. Eles me trasmitem uma energia indescritível. Me apaixonei mais ainda pelos desfechos dos textos, são surpreendentes e sempre nos propõem uma reflexão. Na verdade, neles está a marca de alguém que sabe viver a vida, dando espaço para as espontaneidades de cada momento.
Te amo! Sinto muito a sua falta.
Beijos!!!
Jana fia, adoreeeeeeiiiiii esse texto!
Muito bom, como disse Raquel, você é você eheheeh
Beijo
... ...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazon
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...
desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ
TE SIGO TU BLOG
CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesia ...
AFECTUOSAMENTE
JANA
jose
ramon...
Nossa que texto sinistro hehe
o final mesmo... (#MEDO)
mas gostei :D
retrata bem a realidade daqueles
que possuem blog.
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